segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os dados vazaram no Play

A Sony foi fundada por Masaru Ibuka e Akio Morita em 1946 com o nome de Tokyo Tsushin Kogyo K.K.

A empresa passou a utilizar o logo SONY em seus produtos em 1955 e em 1958 adotou o nome SONY para toda a organização, tornando-se a Sony Corporation.

O nome Sony originou-se a partir de dois conceitos, “sonus” que é a raiz de palavras como “som” e “sônico”, a outra parte veio de “sonny boy”, uma expressão utilizada no Japão que descreve um jovem com espírito livre e pioneiro, que representava bem o novo conceito da empresa.

Desde então a Sony sempre inovou, criando desde o velho Walkman, o CD (em parceria com a Philips) e vários outros padrões utilizados na indústria de audio e vídeo.

Na década de 90 a Sony lança seu primeiro console de jogos, o Playstation que se tornou um grande sucesso, com mais de 100 milhões de aparelhos vendidos, superado apenas pela 2a geração o PS2 com mais de 150 milhões de aparelhos vendidos.

Em seguida veio o Playstation 3 e com ele a PSN (PlayStation Network) onde é possível realizar download de conteúdo, jogos e também jogar online com outras pessoas cadastradas no sistema.

Entre 17 e 19 de abril de 2011 a rede PSN foi invadida por hackers que roubaram os dados de 77 milhões de usuários, entre os dados de perfil haviam também nome, endereço, email e número do cartão de crédito (que a Sony diz estar criptografado). No entanto, não bastasse a falha de segurança que permitiu o roubo dos dados, a empresa levou praticamente uma semana para informar aos usuários sobre o evento. A rede também ficou indisponível por praticamente um mês após a descoberta da invasão.

Como desfecho, o prejuízo financeiro pode chegar a US$ 24 bilhões (estimados pelo Ponemon Institute). Além disso, também há prejuízos para a imagem da empresa, onde ela passa a ser vista como uma plataforma não tão segura e usuários podem migrar para os produtos de seus concorrentes.

Sabemos que sistemas que armazenam dados de usuários e efetuam transações devem ter a segurança como um dos pilares de sua sustentação, mas sabemos também que mesmo com todas as medidas possíveis e imagináveis sempre haverão falhas de segurança que serão exploradas por hackers e por pessoas maliciosas. Em casos deste tipo, onde há o vazamento de dados que envolvem informações financeiras, o atraso na divulgação deste fato para os clientes pode gerar grandes transtornos, inclusive financeiros e, a perda de credibilidade para a empresa pode ser maior ainda.


domingo, 30 de outubro de 2011

Estratégia e planejamento para proteger a marca



Pouco menos de dois anos antes da crise financeira dos Estados Unidos atingir o setor automobilístico, a Ford, prevendo o desenrolar da crise, se preparou de maneira assertiva. Esses cuidados não foram suficientes para evitar demissões, fechamento de fábricas ou
reposicionamento de mercado, mas foram essenciais para proteger uma das marcas
mais valiosas do setor automotivo americano.

Com o início da crise a montadora abasteceu seu caixa, antes que os empréstimos nos EUA se tornassem abusivos. E já iniciou o planejamento de reestruturação para encarar o novo mercado que se formava.

A ameaça dos carros japoneses já era um fato preocupante, se unido à diminuição do poder aquisitivo americano, de fato a situação era crítica. O americano mudava seu hábito de
consumo à medida que a crise avançava, com isso a Ford perdeu muito mercado no
país em que seus negócios prevaleciam.

Mas com seu planejamento antecipado, a Empresa estava preparada para atender a mercados mais promissores no momento, como Brasil, Argentina e Chile. Esse novo foco de vendas exigiu adaptações de produtos e marketing, pois os países emergentes pediam carros mais leves e econômicos. Os mercados que não eram valorizados até então, no setor automotivo, foram
essenciais para a sustentação da Companhia.
Ao mesmo tempo que, com planejamento e estratégia bem definidos a Ford não entrou no programa do Governo Americano, que para evitar a falência das empresas comprava parte de seus ativos a altos juros. Com essa medida a Ford conseguiu uma credibilidade diferenciada no mercado dos EUA, já que depender do Governo nesse momento era um grande prejuízo de credibilidade, imagem e reputação.

Em uma entrevista à DINHEIRO,em abril de 2009, Mark Fields, presidente da Ford para as Américas, ao ser perguntado se a empresa sairia da crise mais forte do que entrou ele disse:
"O tempo dirá se sairemos mais fortes do que nossos competidores, mas as pessoas precisam entender que a Ford está comprometida em continuar trabalhando para permanecer competitiva no futuro".
Érica Baffi

A passarela das luzes cintilantes e o backstage de lixo

Em agosto deste ano o programa “A liga” da rede Bandeirantes , apresentou uma matéria sobre trabalho escravo. Até então um programa investigativo com um tema comum e que muitos fazem matérias parecidas, até por conta do cunho social que o tema abrange, porém o que fez esse programa se tornar uma “bomba relógio” principalmente sobre marcas de alto luxo foi uma denuncia de trabalho escravo na linha de produção da marca Zara, grande rede de lojas de roupas de luxo.

Nesta reportagem sobre trabalho escravo, uma acusação sobre a Zara ter empregados bolivianos morando em condições terríveis e trabalhando mais de 10 horas por dia por dois a oito reais por peça fabricada, que é dividido pela quantidade de pessoas que a produzem, fez cair um tsunami diante da imagem da marca. Após a reportagem o que foi mais evidente e o momento exato da queda da mascara, foi quando os espectadores do programa em menos de meia hora já estavam bombardeando a página da Zara no Facebook, com comentários sobre o trabalho escravo e no Twitter a hashtag #Zara estava entre os trand topics do mundo. Mostrando não só para o Brasil mais para o mundo as condições de trabalho dos empregados da empresa.

Após a bomba ter explodido em todos os meios de comunicação e ter sido assunto durante todos esses meses, percebemos que a marca falhou na gestão da crise de imagem. Observando o acontecimento, perguntamos até que ponto a imagem de uma marca tão forte como a Zara, consegue sustentar uma crise como essa?

Será que realmente chegou a hora de mais uma grande marca decair? Eu acho que não, várias outras marcas já passaram por isso, sabemos que outras empresas tiveram já suas reportagens sobre trabalho escravo e condições desumanas, como a própria Apple. E a pergunta é: O que se faz para a marca se reerguer?

Coube a Zara apresentar-se a todos para informar como aquilo poderia estar acontecendo, de acordo com a empresa, eles não sabiam das condições de trabalho daquela linha de produção, o que é bastante estranho, mas foi a única das explicações que deram. Muitos acham que tapar o sol com a peneira não é a solução, o que deveria ser feito, era um trabalho de esclarecimento, tomada de providências e resgate da imagem.

Uma das coisas que podemos dizer é que não dá pra tapar este incidente ou responder para os internautas pronunciamentos clichês como: “Estamos verificando a melhor forma para isso nunca acontecer novamente”. Porém, quando pensamos: Será que realmente as pessoas irão se importar com a origem das belíssimas roupas da Zara? Acredito que isso não aconteceu, um exemplo claro disso é que em termos de vendas, elas caíram durante duas ou três semanas, mas já voltaram ao seu faturamento.

Volkswagen - Falta de Ética e Transparência

Em 2009 uma investigação da Polícia Civil do Maranhão em conjunto com o Ministério Público encontrou indícios de fraude fiscal na venda de automóveis em uma de suas concessionárias, o que levou ao decreto de prisão do dono e de executivos da montadora.

A Euromar, a concessionária em questão, comprava os veículos da montadora em nome de frotistas e locadoras para se beneficiar de descontos de ICMS, e depois revendia o carro ainda zero ao consumidor final, com o valor de mercado. A lei, no entanto, exige que a locadora ou frotista permaneça com o veículo por no mínimo um ano antes de revender. Um dos documentos encontrados durante a investigação mostrava que a concessionária usava os dados de uma funerária para comprar veículos que dificilmente seriam utilizados como carros funerários, como New Beetles, Boras e Voyages.

A Volkswagen se prontificou a emitir uma nota oficial afirmando não ter participação no esquema. A montadora informou que praticava uma política de incentivo de venda à frotas, mas que a ocorrência de eventuais ilegalidades é de inteira responsabilidade da concessionária.

Entretanto, o dano já estava feito. A notícia foi veiculada em revistas e jornais de circulação nacional, e a imagem da montadora fora arranhada. Isso acarretou na desconfiança generalizada do consumidor, que não acredita que a montadora não teve participação no esquema, e muitos consumidores manifestaram sua insatisfação através de comentários nas notícias, afirmando que a prática é comum e as autoridades não investigam profundamente o assunto.

Desta forma, os consumidores sentem que a montadora não age com ética e transparência, superfaturando o preço final dos veículos visando aumentar seus lucros de forma ilegal. Isso faz com que o consumidor deixe de considerar a marca ao decidir adquirir um veículo.

Em tempos onde as notícias se propagam de forma viral através da internet, onde também há espaço para a manifestação de todo e qualquer tipo de opinião, de todas as camadas da sociedade, é importante que empresas de grande porte tenham um cuidado especial com a sua imagem, pois, a longo prazo, a confiança do consumidor pode ser prejudicada de formas irrecuperáveis, afetando o crescimento e vendas da empresa.

Carolina Barros

sábado, 29 de outubro de 2011

Starbucks: consciência ambiental por água abaixo



A companhia fez do fato de comprar café se tornar uma experiência única para o cliente e assim se transformou na maior cadeia de cafeterias do mundo. A Starbucks nasceu nos anos 70 em Seattle (Estados Unidos) numa lojinha simples vendendo grãos de café. Hoje está presente em mais de 35 países no mundo todo.


Uma empresa moderna e arrojada, se encontrou numa posição complicada em meados de 2008, quando o jornal inglês The Sun publicou com exclusividade uma matéria sobre o fato da empresa ter gastado até hoje mais de 23 milhões de litros de aguá por dia, nos seus 10 mil estabelecimentos porque recomendava que nunca se fechassem as torneiras. Um repórter do veículo, com uma câmera escondida, alerta um dos funcionários da franquia sobre o fato e ele é avisado que é assim mesmo.


O tema foi capa do jornal e imediatamente se tornou crise local. Ambientalistas ingleses e americanos já haviam alertado a companhia a adotar medidas mais ecológicas para diminuir seu impacto no ambiente e também em sua imagem. A política foi considerada bizarra por muitas especialistas e cálculos mostravam que todos estes anos de desperdício diário era o equivalente às necessidades diárias de um país pequeno, como a Namíbia por exemplo.


Inicialmente a empresa defendeu seu posicionamento alegando que era mais higiênico, e virou alvo dos tablóides ingleses. Depois, devido a forte pressão da mídia e das redes sociais, voltou atrás e acabou cedendo e hoje a maioria das lojas no Reino Unido não usa este procedimento. Mas ele ainda existe em algumas lojas e hoje a empresa tem um link em seu site oficial explicando de forma clara sua política – http://www.starbucks.com/responsibility/environment/water.



Priscila Maruqes Ferreira

Nokia- Connecting people


Com o Slogan connecting people ( conectando pessoas) a nokia deixou á desejar nestes últimos meses antecedentes e seguintes á crise econômica mundial; considerada líder de mercado, forte concorrente e principal empresa do ramo desenvolvedora de tecnologia, essa gigante vem passando por momentos não muito agradáveis em relação á suas políticas internas, pois a antiga presidência foi convidada a deixar o cargo, porque não conseguiu retirar a empresa da crise que estava passando e aumentar sua participação no mercado de smartsphone; A empresa trouxe como presidente um novo CEO com grande bagagem em empresas de tecnologia, a última que passou foi a gigante microsoft.
Com o surgimento dos smartesphones essa empresa está perdendo mercado; por falta de desenvolvimento de novas tecnologias e por ter deixado de inovar, pois com a chegada do iphone e o sistema operativo de mobile phones android vem perdendo a liderança de mercado e sua quase sonhada referência de fabricante; a maioria dos aparelhos celulares utilizado pela população mundial são os smartsphones e a empresa tenta tornar-se presente neste mercado com o lançamento do Windows Phone representando um renascimento da companhia em relação a sua participação de mercado e aceitabilidade do consumidor.
Uma empresa de grande participação e referência de mercado, deixar de ser líder por falta de desenvolvimento de tecnologias corretas compatível com as tendências e necessidades do consumidor busca suicídio com sua própria marca, pois acreditar que os celulares não fazem parte da vida de pessoas no século atual e que o próprio não pode ser imergido nas atividades do dia á dia traz varias consequências ruins para a marca despertando as fragilidades que o fabricante possui fortalecendo o posicionamento dos concorrentes.
Utilizar o Slogan Conectando pessoas e deixar de acompanhar a forma de como elas se comunicam ou até mesmo se " conectam" é um grande fardo á ser carregado, e da forma que essa gigante esta caminhando no quesito inovação de produto e tecnologia a aderência do público final é uma incógnita, os mais otimistas vêem de uma forma e os pessimistas de outra só o tempo e o gosto do consumidor para nos dar essa resposta.

Oportunidades em Tempos de Crise

A Cisco Systems Inc é uma multinacional norte-americana que tem como principal atividade o oferecimento de soluções para redes e comunicações - fabricação e venda ou mesmo prestação de serviços por meio de suas subsidiárias Linksys, WebEx, IronPort e Scientific Atlanta. No começo de suas operações fabricava apenas roteadores de grande porte para empresas, mas gradualmente diversificou o negócio passando a atender também ao consumidor final com tecnologias como o Voip ao mesmo tempo, em que ampliava seu segmento corporativo.

Subsidiária Brasileira, 2007
Nesta época a unidade era líder na América Latina, respondia aproximadamente 10% dos negócios gerais em todo o mundo.
No mesmo ano o até então presidente Pedro Ripper, o ex-presidente Carlos Roberto Carnevali, e outras 40 pessoas entre funcionários e envolvidos com negociações associadas à empresa detidos pela operação Persona, da Polícia Federal.
As acusações foram de respeito à interposição fraudulenta em importações, processo no qual se omite o nome do verdadeiro importador, ocultação de patrimônio, fraude no pagamento de tributos (descaminho), sonegação fiscal, evasão de divisas, entre outras.
Após o escândalo, 48 horas depois que a crise se estabeleceu houve uma reunião com o principal líder de recursos humanos da América Latina e o segundo principal líder das operações globais.
A posição da empresa era de transparência, o discurso oficial foi de que os responsáveis pelos crimes seriam afastados e que os funcionários poderiam ter confiança nas atividades desenvolvidas dali para frente. De acordo com o atual presidente, Rodrigo Abreu “Os funcionários mostraram muita disposição para permanecerem na empresa e buscaram entender como poderiam contribuir”.
O Resultado das ações internas refletiu nos números do ano seguinte, a Cisco Brasil apresentou o maior crescimento proporcional entre todas as operações da companhia no mundo.

Crise Econômica: 2008
Apesar do cenário econômico mundial ruim e a queda no número de pedidos à empresa (10%) neste ano não demitiu funcionários, optou por cortar quase 1 bilhão de doláres em custos com marketing e paralisar novas contratações para manter a empresa lucrativa.

Reflexos da Crise: 2009
No início do ano seguinte as empresas de tecnologia precisaram eliminar vagas para enfrentar a recessão, e a Cisco não teve alternativa senão a de cortar 10% de sua força de trabalho nos EUA e outros países. A empresa classificou a medida de "reestruturação limitada".
Ainda assim a empresa aproveitou o momento para fortalecer a presença com pequenas e médias empresas e investiu 100 milhões para criar produtos, de acordo com Andrew Sage, vice-presidente mundial “é durante ciclos de baixa que as empresas menores emergem.”, desta forma a Cisco fechou parcerias com o varejo e operadoras de telefonia para chegar rápido ao seu público.

Brasil vira mercado-chave para a Cisco:
http://www.youtube.com/watch?v=dt7PmS45lIs

Anos Seguintes: 2010 e 2011
A empresa, especialmente a subsidiária brasileira manteve seu crescimento, refletido nas posições da Pesquisa “Best Global Brands” – Interbrand:


2007 - 18º
2008 - 17º
2009 - 14º
2010 - 14º
2011 - 13º

Sem dúvidas o trabalho realizado internamente e a transparência da empresa em todos os processos foram essenciais para conseguir passar pelas crises sem muitos arranhões, funcionários mostraram disposição para permanecerem na empresa e buscaram entender de que forma poderiam contribuir para seu sucesso.

Ford: uma rainha nunca perde a majestade

Quando alguém questiona sobre qual companhia sofreu mais durante a crise de 2008, é complexo definir a mais prejudicada. Foram tantas incertezas, tantas quebras em bolsas, falências no sistema, imagens arruinadas, enfim...um caos mundial que surte efeitos até hoje. Porém, na minha história ao longo desse período de instabilidade, a crise nas montadoras de carros foi a mais impactante. Observar a gigante GM ter sua credibilidade, junto com suas marcas paralelas e todos seus investimentos descendo pelo “ralo” foi assustador. Na verdade, ter uma visão romântica sob a estabilidade financeira desse tipo de Big Companies é totalmente compreensível.

Mas, o propósito deste post é comentar sobre a Ford, que embora, em 2006, tenha sido a única do segmento a enxergar uma possível crise e se preparar para ela com a contratação de um préstimo de US$23,5 bilhões, ainda assim sofreu a incerteza de um mercado em pânico. “o problema é que, para pegar esse monte de dinheiro, a empresa empenhou tudo, até mesmo a logomarca oval”, ressalta o consultor da indústria automotiva, Fernando Calmon.

Ao contrário de suas concorrentes GM e Chrysler, que receberam um pacote de ajuda do Governo americano em torno de US$18 bilhões, o empréstimo da empresa do legendário Henry Ford foi feito em parcerias com instituições financeiras, o que significa que a libertou das diretrizes do Conselho dos Estados Unidos, deixando-a livre para tomar suas próprias decisões.

Porém, 2008 chegou, a crise se instalou e a Ford sofreu consequências, assim como tantas companhias americanas. Dispensou funcionários, reduziu custos, vendeu ativos, como as grifes Austin Martins, Land Rover e Jaguar. No entanto passou por ela sem que fossem necessários novos empréstimos e injeções de orçamento de suas filiais mundiais. No Brasil em especial, a empresa registrou um aumento na porcentagem de vendas com o auxílio do governo nacional com a redução do IPI.

Sua estabilidade é mantida, sua credibilidade alavancada e seu lucro em crescimento. A marca Ford, diferente de suas duas grandes concorrentes, sai de 2008 com poucos machucados, posicionando-se como uma referência em estratégia no segmento automobilístico.

http://www.youtube.com/watch?v=al9AZjSbIF8


Post de Vera Giglio

Vai um Prius aí?

Carros da Toyota não quebram. Pelo menos é essa a imagem que muitas pessoas têm da empresa que construiu sua identidade de sua marca baseada na qualidade e na alta tecnologia de seus produtos, oferecendo carros seguros e duráveis. Fundada na cidade de Toyota, no Japão, em 1937, superou a americana GM sendo considerada a maior montadora do mundo em 2007. Com produção em 26 países e regiões e vendas em mais de 170 países, a empresa é detentora das marcas Toyota, Lexus, Daihatsu e Hino. No Brasil, são mais de 4.000 funcionários em quatro unidades nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Seu modelo de trabalho, totalmente focado na qualidade, é benchmark em diversos setores da economia e sustenta sua imagem e credibilidade.

No entanto, entre o final de 2009 e início de 2010 uma série de recalls envolvendo milhões de carros da montadora em todo o mundo abalou sua imagem. Após acidentes causados por problemas em tapetes inadequados que enroscavam nos pedais, acelerando o veículo e depois, e nos freios que atuavam com atraso, um dos principais pilares de sua marca, a qualidade, foi seriamente atingido.

A Toyota demorou a admitir o problema e a solucioná-lo. A própria cultura da empresa e do país de origem interferiram nas ações tomadas. Jeff Kingston, estudioso e diretor da Universidade de Temple, no Japão, disse em reportagem para o The Wall Street Journal, "a vergonha de admitir um recall num país obcecado com qualidade e habilidade técnica dificulta a transparência e o reconhecimento da responsabilidade". Ele continua: "Também há uma cultura de deferência nas empresas que dificulta que os que estão embaixo na hierarquia questionem os superiores ou informem os problemas a eles. O foco no consenso e no coletivo facilita o trabalho em equipe, mas também dificulta desafiar o que já foi decidido".

Em janeiro de 2010 as vendas haviam caído 16%, demonstrando o temor dos consumidores gerado pelos eventos. Em fevereiro, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, pediu desculpas publicamente pelas falhas técnicas e pelos transtornos causados. E já em março daquele ano, as vendas voltaram a subir, indicando que a credibilidade não havia sido tão afetada, especialmente depois das medidas tomadas pela empresa e da calmaria que seguiu a crise.

O tempo passou e a situação se acalmou, mas a Toyota não ficou parada. De olho nos consumidores cada vez mais interessados em produtos e empresas socialmente responsáveis, a gigante aposta suas fichas no Prius. O carro híbrido é um dos mais vendidos em todo o mundo na categoria, e deve ser lançado em 2012 no Brasil. “A vinda do híbrido para o Brasil tem muito mais um sentido institucional do que de ganhar mercado. A intenção é colocar a Toyota como uma marca inovadora e sustentável e fazer com que o público comece a entender a tecnologia”, explica Luiz Carlos Mello, diretor do Centro de Estudos Automotivos, em entrevista à revista Veja no último mês.

Enquanto a novidade não chega, a Toyota se empenha no plantio de mudas de árvores no entorno de sua fábrica em Sorocaba, SP. No total serão 80 mil mudas que formarão um cinturão verde ao redor da unidade plantado com a ajuda de colaboradores, fornecedores e concessionários. A iniciativa já foi realizada nas fábricas no Japão, Índia e Tailândia, utilizando uma técnica exclusiva que permite que as plantas escolhidas, árvores nativas semelhantes à flora original da região, cresçam muito mais rápido do que em um plantio comum.

O que se planta é o que se colhe. Resta agora saber se a estratégia verde vai se sobrepor à imagem de qualidade da Toyota, estando ela abalada ou não (e pelo que parece, o estrago não foi tão grande assim), e como os consumidores vão reagir nos próximos anos. Vai um Prius aí?


Fontes:

http://www.toyota-global.com/

http://www.toyota.com.br/

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/toyota-lanca-o-hibrido-prius-no-brasil-mas-vendas-comecam-so-em-2012

http://www.inteligemcia.com.br/51787/2011/10/21/toyota-realiza-plantio-de-45-mil-arvores-em-sorocaba/

http://noticias.r7.com/economia/noticias/entenda-a-crise-que-atinge-a-toyota-no-mundo-20100209.html

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/a-crise-da-toyota-e-a-hipocrisia-na-comunicacao-empresarial/43761/

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/865002-toyota-mantem-lideranca-mundial-mesmo-com-crise-de-recall.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u694261.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u725882.shtml

Shell, o inevitável consumo da insustentabilidade

Uma preocupação quase inexistente há cerca de 10 anos atrás para os negócios, passa a existir com uma força cada vez maior, a imagem de sustentabilidade das marcas. Segundo a Pesquisa Responsabilidade Social das Empresas - Percepção do Consumidor Brasileiro - realizada pelo instituto Akatu e pelo Instituto Ethos, em dezembro de 2010, 65% dos chamados formadores de opinião discutem comportamento ético socioambiental das empresas, assim como 41 % da população brasileira.

O que sustenta as marcas que têm a insustentabilidade como produto é a justificativa do próprio consumidor de que existem males que são necessários. Com 7 milhões de carros, e uma população de 11 milhões de pessoas, a capital paulista tem um grande contingente de consumidores de combustíveis, a emissão de monóxido de carbono dos carros é por si só a maior responsável pela poluição do ar.

Além da contribuição nada sustentável à atmosfera, segundo a Cetesb, os postos de gasolina são hoje os responsáveis por metade das 3600 áreas contaminadas no Estado de São Paulo. Em alguns casos a contaminação acarretou problemas e riscos sérios à saúde das pessoas que moravam ou moram próximo dessas áreas. Um exemplo é o caso da fábrica da Shell no bairro Vila Carioca da capital paulista. A marca mais influente de gasolina no mundo deixou marcas bem impactantes na saúde de pessoas que tiveram acesso às áreas contaminadas por ela.

Um relatório da Secretaria Municipal da Saúde apontou que 73 das 198 pessoas analisadas que moravam próximos da área onde a Shell havia se instalado apresentam pesticidas potencialmente cancerígenos no organismo. O bairro tem 6.500 moradores.

No mesmo ano em 2006, que a denúncia repercutia no Brasil, a matriz da Shell também enfrentava outros problemas que acabaram acarretando grandes prejuízos a seus acionistas. Ao reavaliar suas reservas de petróleo, a produção não refletia o estoque anunciado, logo após a descoberta da manipulação, as ações caíram em Amsterdã, Nova York e Londres, 15 bilhões de dólares foi a queda estimada do valor de mercado da companhia, uma das principais acionistas da Shell, a rainha Beatriz da Holanda teve prejuízo de 375 milhões de euros.


Na pesquisa Data Folha, que mede a lembrança espontânea do Consumidor sobre marcas de determinado seguimento, chamada de Top of Mind, a Shell que em 2003, tinha empatado com a Petrobrás, hoje pontua 8%, ficando com apenas 1% de diferença da marca Ipiranga e longe da liderança da Petrobrás, e que neste ano ficou com 22%.