A disciplina Marcas: imagem e identidade corporativa entrou na grade do curso de pós-graduação da Cásper Líbero em 2007. De lá para cá, muitas pessoas interessadas em estudar o universo das marcas apresentaram análises sobre o assunto. Este blog, agora repaginado, é a ferramenta em que deixamos essas reflexões reunidas e disponíveis como instrumento de pesquisa.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Mercado popular se transformando...
Marcas tradicionais lançam 2ª marca para atender a nova classe média do Brasil.
Depois de fazer pesquisas, a Kopenhagen constatou que havia uma lacuna no mercado de lojas especializadas em chocolates no atendimento das classes B e C, fora das grandes marcas industrializadas vendidas em supermercados. Por isso, decidiu criar uma nova marca, a Brasil Cacau, com produtos entre 30% e 50% mais baratos em relação aos da marca principal, sem arranhar o posicionamento de mercado da Kopenhagen. E tornou-se concorrente direto da Cacau Show.
A quase centenária Lorenzetti criou a Forti marca que acaba de estrear no mercado da classe C. De carona no boom do mercado imobiliário, em abril deste ano a companhia decidiu fabricar torneiras, válvulas sanitárias, assentos sanitários e acessórios de banheiro em plástico de engenharia, material mais resistente que o plástico comum. O preço da torneira de plástico da nova marca, por exemplo, corresponde a 20% do preço de uma torneira em latão da marca Lorenzetti, voltada para as classes A/B.
Há um ano no mercado com a marca de maquiagem Intense, o Boticário não revela os números da sua investida na classe C. Mas, ao que tudo indica, a estratégia deu certo. A companhia tem hoje 69 itens sob esse novo guarda-chuva. A diferença entre o preço dos produtos da marca Intense e Boticário é significativa. Enquanto o batom da marca Boticário custa R$ 22,90, o da marca Intense sai por R$ 9,90.
Os efeitos perversos da tributação na Classe C
Exemplo:
Classe A/B Renda média R$ 8.000
Pagou na carne - R$ 50
Pagou de imposto - R$ 20
Imposto representa 0,25% da sua renda
Classe C Renda média R$ 2.961
Pagou na carne - R$ 50
Pagou de imposto - R$ 20
Imposto representa 0,675% da sua renda
É necessário corrigir essa distorção, através da realização da reforma tributária, há tanto prometida pelos nossos políticos. Rever esse modelo de cobrança de tributos aumentaria ainda mais o poder de compra da ascendente classe C.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Evidência da classe "C" de Consumo!
Fruto da estabilidade econômica que o país atravessa, milhões de pessoas migraram das chamadas classes D e E (menos favorecidas), para a tão conhecida classe do consumo, ou seja, a classe C.
Hoje, a classe C representa mais da metade da população nacional, além de ser responsável por um pouco mais da metade de todo consumo. De olho nesses números, comércio/serviço nunca esteve tão atento para se aprofundar no assunto e descobrir o que necessita consumir essa classe emergente.
O aumento é evidente em todos os setores econômicos, entretanto, alguns podem levam consideráveis destaques, como: Tecnologia: o computador ocupa o lugar na sala que antes era só da TV. Representa uma forma maior de conhecimento, entretenimento e lazer;
Educação e cultura: caminho para a ascensão social. Estudar funciona como um plano de previdência familiar pois melhora a qualidade de vida de todos;
Vaidade e beleza: estar bem arrumada é uma forma de diminuir as barreiras étnicas e sociais. As mulheres gastam em média 50 reais por mês no salão. 89% afirmam que os cuidados pessoais a fazem se sentir melhores;
Imobiliário: Devido a facilidade do crédito imobiliário, o sonho da aquisição da casa própria ficou mais próximo;
Turismo: Viagens programadas, passagens antecipadas, nascimento de novas companhias aéreas e promoções atraem passageiros;
Diante desse cenário progressivo, empresas não poupam investimentos em pesquisas para focar seu público-alvo dentro da mesma classe “C” que, por ter renda entre R$ 1.100, e R$ 4.00, não possui apenas um único perfil, por isso é tão distinta das demais classes.
Classe média também pensa

Melhores condições de vida, mais conforto, mais consumo e mais exigência. A classe média, nos últimos tempos, dizem alguns principalmente a partir dos governos do Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luis Inácio Lula da Silva (PT), ganhou mais espaço e notoriedade. Consume mais.
Aqueles abastados, os da classe E, que deixavam as suas economias no colchão ou, no máximo, em uma poupança simples, conseguiram chegar a um patarmar importante: melhorar de vida e movimentar de forma intesiva a economia brasileira, no qual este mesmo ambiente acabou se tornando bastante dependente deste público. Afinal, mais da metade da população brasileira que consome é da classe C.
Porém, com eles não há deslumbramento do tipo “tudo que é caro é bom e eu posso comprar”. A classe média é exigente e nem de longe é submissa. O dinheiro continua sendo conquistado com suor e o desperdício não tem espaço nesta classe, tanto por parte daqueles que ascenderam quanto por parte dos filhos dos que subiram na vida e que foram ensinados, desde pequenos, sobre o valor ($) das coisas conquistadas.
Se não é bom, ele não compra. Se é caro, ele procura outro. Se veio com defeito, reclama. Se é bom, ele divulga no boca a boca. Ou seja, a consciência de qualidade é algo bastante evidente neste público que não se vê passivo e sabe da importância de ser crítico. Afinal, eles sabem mais do que ninguém o valor daquele carro, daquele imóvel, daquele produto e o quanto horas se trabalha para conseguir algo palpável. Exigência sempre.
Marcas de Confiança
Ao longo dos anos surgiu um novo perfil de público consumidor de baixa renda, que está mais confiante em seu desenvolvimento socioeconômico e consequentemente mais exigente. As marcas são obrigadas a desenvolver novos conceitos em relação a produtos populares. Para este consumidor a qualidade do produto tornou-se quesito fundamental.
Um exemplo é o caso do Shampoo Seda da Unilever líder de vendas no Brasil que passou a ter com queda nas vendas, devido ao consumidor da classe C, público-alvo, não querer mais um produto que via como de "segunda linha" e "muito popular". A nova aspiração da classe C brasileira era consumir xampus melhores. Para resgatar a marca Seda foi investido 125 milhões de reais para recriar o produto, da embalagem à fórmula, só restou mesmo o nome. Trata-se de alterar a percepção sobre um mesmo produto tendo como principal estratégia convidar um grupo de cabeleireiros de renome mundial para prestar consultoria técnica e estrelar campanhas publicitárias, visando agregar valor à marca para conquista da credibilidade do consumidor de baixa renda.
As marcas que estabelecem uma relação positiva com esse público ganhando sua confiança tornam-se uma ponte para o projeto aspiracional desta classe de consumidores, alimentando o projeto de futuro dessas pessoas e conectando-os com seus sonhos.
Crescimento da classe C

Classe Emergente de Olho na Casa Própia
O crescimento desse marcado começou à mais ou menos um ano e meio, e não só no Brasil, também na China e México, por exemplo. Isso deu-se com o aumento de liberação de crédito, e em consequencia, mais acesso a financiamentos. 93% dessa classe afirma que ter uma vida estável é a primeira condição para se sentirem parte da nova classe C, e a segunda opção é ter casa própria.
Aproveitando esse gancho, a Tecnisa, que desenvolvia projetos apenas para classes A e B, lançou após um ano e meio de estudos a marca Tecnisa Flex. Voltada para a classe emrgente, passou a desenvolver projetos com valores entre 100 e 250 mil Reais, tem parcerias com cartões de crédito e cliente pode escolher datas de vencimentos.
Esse boom imobiliário teve contribuições. Entre elas programas do governo, redução de IPI para materiais de construção até o fim de 2010, redução dos juros e alongamento de prazos.
É vendaval | Consumidor da Classe C
Como já dizia a música: “Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval...na vida de um sonhador, de um sonhador....quanta gente ai se engana e cai da cama com toda a ilusão que sonhou” Pautada na ideia de que dinheiro na mão é vendável, Paulinho da Viola, enfatizava que quanto mais dinheiro se tinha, mas se gastava. Contudo, a nova Classe C, surge para nos mostrar que dinheiro na mão é sim, compra / consumo de qualidade e realização de desejos...com planejamento e sem vendaval.
O acesso ao crédito e melhores salários mostram um novo comportamento desta classe, que antes deste favorável cenário financeiro escolhia os produtos de uma gôndola baseado no preço. Hoje escolhe pela qualidade, e sim, também pela marca.
"Falar da importância crescente desta classe sócio-econômica não é novo. A novidade é agir nas diferentes aspirações que permeiam esta nova classe C", afirmou João Carlos Lazzarini, diretor da Nielsen Brasil. Para ele, é preciso considerar não apenas a renda mensal dos grupos que pertencem à classe C, mas também os diferentes estilos de vida.
Confira estes estilos de vida e outros processos que fazem com que a classe C cresça cada dia mais no link: http://br.nielsen.com/news/ReleaseEncontrodeCEOs_ClasseC.shtml
Crescimento da classe C: 20 milhões de pessoas; aumento do salário mínimo: R$ 600,00; elevação da renda familiar: (em média) R$ 3.000,00; Massificação de uma abrangente classe social de modo maniqueísta: não tem preço. Tem coisas que o governo não faz, para todas as outras...
Luiza Mesquita